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quarta-feira, 12 de março de 2014

O homem e a pedra

José está sentado em seu barco em alto mar olhando fixamente para a Grande Pedra na sua frente. A pedra que dizem ser o grande ancestral dos povos africanos, a monumental senhora das coisas. Contaram-lhe que ela conhece a origem e segredos de cada indivíduo que habita aquele lugar. Ela conhece a angustia, sofrimento e alegria de todos. Por isto José esta ali, por que pode ser ela a única capaz de mostrar o caminho.  

Por um bom tempo José se recusava a acreditar nas histórias que seu povo contava sobre a grande pedra que ficava no mar. Não conseguia acreditar que aquele ser inanimado poderia ser capaz de estabelecer alguma conexão e até conversar com uma pessoa. Mas diante dos últimos acontecimentos não poderia dispensar ajuda de nenhum ser, nem que este fosse apenas uma pedra. Então resolveu ir ao seu encontro. 
José reza. Reza para todos os seus antepassados, reza para todos os seus ancestrais estarem com ele neste momento e pede para que eles olhem para seu povo, que lhes dê força para suportar a batalha. Não vai ser fácil, pois os outros têm mais arsenal, mais poder de fogo, não terão condições de vencer. O quilombo seria invadido e tudo o que foi construído durante os anos seria destruído.

Neste momento a monumental pedra, a ancestral dos seus antepassados e de todos os povos vindos do além-mar se ergue em sua frente. Seus grandes olhos negros estão abertos, sua expressão é de revolta, como se o estivesse o repreendendo pelo seu último pensamento. José tem medo e não acredita no que está vendo, “ela realmente existe e poderá nos ajudar”.  

A Grande Pedra lhe pergunta, no entanto o que ele está fazendo ali, pois pelo que lhe consta José nem acreditava que ela existia. Sem deixar José responder a sua pergunta ela coloca que entende a angustia que seu povo está passando e por isto resolveu aparecer e que se fosse só por ele não lhe falaria.  

Aflito José diz que entende e afirma que seu povo precisa de ajuda. Ela ergue sua cabeça e sem mover os lábios lhe conta coisas sobre as guerras, sobre as lutas que ela já viu, das lutas irracionais travadas entre brancos contra negro. Falou também sobre como os povos com menos poder armado eram os mais valentes lutando pela vida e liberdade. Falou que sim esta não seria uma luta fácil que seria devastador, que a maioria dos seus iriam morrer, que ele iria sofrer com o sangue de muitos inocentes derramados. 

Por um momento os dois ficaram calados até que a ancestral lhe falou que nada seria em vão e aquela guerra infelizmente não iria terminar ali e nem nas próximas que estão por vir. Ela então falou que o desejo de justiça e liberdade não deve nunca parar. “As guerras irão mudar, os seus filhos e filhos terão um pouco mais de liberdade mas as batalhas serão não estarão terminadas. As lutas no futuro serão travadas através das palavras e por meios mais tênues que este. Agora vá para a sua batalha, mas não esqueça nunca de que a esperança é a mãe da liberdade”.       


Após ouvir suas palavras José retorna a praia. Ao descer do barco fala aos seus companheiros que pela primeira vez acredita nas histórias que eles contavam sobre a Grande Pedra. Após contar os conselhos da Grande Pedra volta com seus companheiros às suas casas para esperar a hora da luta.  

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